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ANP lista falhas em série e descobre tanque 'invisível' nos cálculos de incêndio

ANP decreta interdição total da Refit por risco de acidentes e incêndio A interdição total da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) nesta quinta-feira (29...

ANP lista falhas em série e descobre tanque 'invisível' nos cálculos de incêndio
ANP lista falhas em série e descobre tanque 'invisível' nos cálculos de incêndio (Foto: Reprodução)

ANP decreta interdição total da Refit por risco de acidentes e incêndio A interdição total da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) nesta quinta-feira (29) expõe um cenário de "risco grave e iminente" detalhado em relatórios técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), aos quais o blog teve acesso. Os fiscais recorreram à metáfora da "Teoria do Queijo Suíço" para ilustrar como múltiplas falhas de projeto e manutenção se alinharam, criando uma trajetória para o desastre. "As 'falhas das barreiras' ou 'orifícios do queijo suíço' nessas camadas representam fragilidades, que podem ser deficiências de projeto, manutenção inadequada, cultura organizacional fraca, falha em avaliações de risco e organizacionais (...). Um acidente ocorre quando esses orifícios se alinham, permitindo que um perigo ultrapasse as barreiras preventivas e se concretizem num acidente (podendo inclusive já envolver fatalidades), estes eventos podem ainda evoluir rapidamente caso as barreiras mitigatórias também possuam falhas e o acidente inicial resultar em uma grande emergência...", diz o relatório. Entre as irregularidades, destaca-se uma falha com potencial considerado catastrófico: um tanque de grande porte que "não existia" para o sistema de segurança. A fiscalização descobriu que o tanque F-201B, com capacidade para 22 milhões de litros de nafta e petróleo, foi desconsiderado do cálculo do Sistema Fixo de Combate a Incêndio (SFCI). Embora o tanque exista fisicamente e opere com carga, ele era ignorado pelo projeto de combate a chamas. Ao refazer as contas incluindo essa estrutura "invisível", a ANP detectou um déficit brutal na capacidade de resposta: para apagar um incêndio neste tanque, seriam necessários 832 milímetros cúbicos de água por hora. O sistema atual da refinaria só consegue entregar 516 milímetros cúbicos de água por hora. Na prática, faltariam quase 40% da água necessária para conter o fogo caso o tanque F-201B fosse atingido. O relatório técnico alerta que o plano de emergência da Refit, se acionado hoje, enviaria 19 brigadistas para uma posição insustentável. A análise aponta que a radiação térmica (o calor do fogo) nessa área atingiria 18,1 kW/m². O limite máximo de segurança para as roupas de proteção utilizadas é de cerca de 9,46 kW/m². Ou seja, os combatentes seriam expostos ao dobro do calor tolerável, risco classificado pela agência como inaceitável para a vida humana. O blog tentou contato com a Refit mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. LEIA MAIS O que se sabe sobre o esquema bilionário de sonegação com combustível do Grupo Refit Esquema de corrupção da Refit era anotado em janela de vidro; veja fotos Investigação apura 'sofisticado esquema de sonegação' Investigação aponta que Grupo Refit sonega de maneira recorrente e intencional e tem R$ 26 bilhões em impostos atrasados Jornal Nacional/ Reprodução A Refit é investigada e foi alvo da operação Poço de Lobato, que descobriu um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro na refinaria, segundo investigadores. O grupo, de acordo com a Receita Federal, movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimentos e empresas offshores em paraísos fiscais (criadas no exterior e em local livre de impostos) para ocultar lucros e, assim, blindá-los. Comandado pelo empresário Ricardo Magro, o grupo é considerado o maior devedor de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços) do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio e um dos maiores da União. Segundo os investigadores, o esquema teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal.